O degelo das geleiras está desacelerando a rotação da Terra

WASHINGTON (Reuters) – Segundo afirmaram os cientistas nessa sexta-feira (11 de dezembro), o derretimento das geleiras, causado pelo aumento da temperatura mundial, parece estar ocasionando uma leve desaceleração da rotação da Terra. Esse é mais um sinal do grande impacto da mudança climática global.

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Imagem da geleira Thwaites, na Antártica (cortesia da NASA). Em 12 de maio de 2014, os cientistas afirmaram que as gigantescas geleiras da Antártida Ocidental parecem estar intimamente ligadas a um degelo irreversível, associado ao aquecimento global; fato que pode causar uma elevação no nível do mar durante os próximos séculos. REUTERS/NASA/distribuída via Reuters.

A força motriz por trás dessas sutis, porém perceptíveis alterações na rotação da Terra, medida pelos satélites e métodos astronômicos, é o aumento do nível dos mares, que é alimentado pelo fluxo de água derretida proveniente das geleiras, disseram os pesquisadores.

“Visto que as geleiras estão em altas latitudes, quando derretem, elas redistribuem a água dessas latitudes altas para latitudes mais baixas. Essa redistribuição age de maneira similar a um patinador que move os braços para longe do corpo enquanto desacelera, ela reduz o índice de velocidade de rotação da Terra”, declarou o geofísico Jerry Mitrovica, da Universidade de Harvard.

O movimento do gelo e da água derretida também está causando um ligeiro deslocamento do eixo da Terra, ou polo norte, em um fenômeno conhecido como “deslocamento polar,” afirmaram os pesquisadores.

“Imagine um patinador que não estica os braços em linha reta, e, em vez disso, estica cada braço em um ângulo diferente. Ele vai começar a perder a estabilidade e balançar para a frente e para trás. O mesmo podemos dizer do movimento polar,” declarou Mitrovica.

A pesquisa investigou as mudanças na rotação e no eixo do planeta em face do aumento do nível do mar no século 20 como resultado do aquecimento global.

O derretimento das camadas de gelo e a elevação do nível do mar alteraram a rotação do eixo do planeta, ou polo norte, em índices inferiores a um centímetro por ano, afirmou Mitrovica. Esse descongelamento desacelerou a rotação da Terra e acrescentou cerca de um milésimo de segundo à duração do dia ao longo do século 20, disse Mitrovica.

Segundo Mitrovica, embora esses efeitos sejam pequenos, eles são mais um indício do profundo impacto que as alterações climáticas, produzidas pelo ser humano, têm sobre o planeta. A desaceleração da rotação, observada até agora, não representa um perigo para o planeta, disse ele.

No entanto, Mitrovica afirmou que se o índice de descongelamento das calotas polares continuar aumentando durante este século— tal como foi predito pelos especialistas — o impacto sobre a rotação da Terra vai aumentar.

A pesquisa foi publicada na revista Science Advances.

(Reportagem de Will Dunham; Edição de Sandra Maler)

REUTERS
Por Will Dunham

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