Desastre ambiental ocorrido em Mariana chama atenção da ONU

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Além de criticar a resposta acerca do desastre ambiental em Mariana/MG, como “inaceitável”, a ONU (Organização das Nações Unidas), divulgou nesta quarta-feira, um comunicado, se posicionando sobre o triste fato. Os relatores pontuaram a necessidade de uma avaliação sobre as leis brasileiras no que tange à atividade de mineração. E aproveitaram a ocasião, para fazer um alarme quanto ao caminho que a lama segue, podendo chegar ao Parque Nacional.

Através de seus relatores John Knox e Baskut Tincak, para temas relacionados à Direitos Humanos no que tange ao Meio Ambiente e à Substâncias Tóxicas, respectivamente; a ONU qualificou como insuficientes, as atitudes tomadas pelo governo do Brasil e afirmou que tanto o governo brasileiro, quanto a Mineradora, deveriam estar fazendo tudo que fosse possível em relação ao desastre ambiental. E isso não têm ocorrido, apesar de negarem (governo e Mineradora) a falta de ações para evitar maiores problemas e acolher as famílias que perderam tudo.

A ONU, através de seus relatores, também pediu que providências urgentes sejam tomadas. Dentre o que foi ditolama minas geraisnesse comunicado, segue parte da fala de um dos relatores que mostra o que nós, que nos preocupamos com o meio ambiente, sentimentos em relação a tudo isso: “Poderemos jamais ter um remédio eficaz para as vítimas, cujos parentes ou ganha-pão podem estar debaixo dessa onda de lixo tóxico, e nem para o meio ambiente, que sofreu danos irreparáveis. Empresas trabalhando com atividades envolvendo o uso de material de risco precisam ter a prevenção de acidentes no centro de seu modelo de negócios.”

Segundo John e Baskut, o que houve em Mariana/MG, é resultado do descaso das empresas no que diz respeito aos direitos humanos e ambientais. A ONU classificou a postura defensiva dos envolvidos como negligente, pois segundo os relatores, não é momento para tentarem se defender e sim, de agir. Também afirmou que é inaceitável o tempo (3 semanas) para a divulgação dos dados que esclarecem sobre as toxinas contidas na lama.

Os atentados em Paris, não menos dignos de atenção, ofuscaram o ocorrido em Mariana/MG em 05 de novembro. Muitas pessoas, tiveram a real ciência da gravidade ecológica dessa situação somente duas semanas após o que houve em Paris. Lamentavelmente, estamos assistindo a um dos maiores desastres ambientais do País. A lama, não é somente barro… infelizmente, ela contém detritos tóxicos e resíduos químicos. Resultado dos trabalhos rotineiros da Samarco, mineradora da Vale. Por isso, por onde passa, destrói.

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Não é questão de tentar maquiar a situação, dizendo que o Rio Doce “será melhor do que era antes” – até porquê, para a ONU, o Rio Doce, a partir de então, é tido como falecido – e sim, criar ações que possam minimizar a dor das pessoas e dos animais da região. Fazer de fato, como disse a ONU tudo que for possível. Demostrar preocupação, ciência e noção perante o que houve, através de atitudes. Espero que agora, com a ONU mostrando que está de olho em tudo isso, algo seja feito e que logo a situação esteja pelo menos, melhor do que está hoje. [BBC]

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