Arábia Saudita anuncia formação de coalizão islâmica antiterrorista com 34 países

Coalizão conta com 34 países, incluindo Egito e Turquia, mas não inclui o Irã. (AFP)
Coalizão conta com 34 países, incluindo Egito e Turquia, mas não inclui o Irã. (AFP)

A Arábia Saudita anunciou nesta terça-feira a criação de uma coalizão de 34 países muçulmanos com o objetivo de “combater o terrorismo em nível militar, ideológico e midiático”, após uma onda de atentados jihadistas em Egito, França, Líbano e Tunísia.

A coalizão, sob liderança saudita, inclui países majoritariamente sunitas, como Egito, Turquia, Paquistão e Marrocos. No entanto, na lista de países membros divulgada nesta terça-feira pela agência oficial SPA não estão nem Irã, seu grande rival xiita, nem Iraque ou Síria.

Rei saudita Salman (D) recebe o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (E), em Riad. (AFP)

Rei saudita Salman (D) recebe o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (E), em Riad. (AFP)A coalizão responde à vontade do mundo islâmico de “combater o terrorismo e ser um sócio na luta mundial contra este flagelo”, disse o ministro da defesa saudita e futuro príncipe herdeiro, Mohamed Ben Salman, em uma coletiva de imprensa em Riad.

A aliança contará com um centro de comando em Riad para “apoiar as operações militares na luta contra o terrorismo”, disse a agência oficial.

Vários analistas afirmaram que é muito cedo para saber quais ações serão realizadas por esta nova aliança militar. O anúncio está, sobretudo, carregado de simbolismo, disse neste sentido Adam Baron, do European Council on Foreign Relations (ECFR).

Quando perguntaram se a nova coalizão lutará contra o grupo Estado Islâmico, o príncipe Mohamed, filho do rei Salman, indicou que combaterá “qualquer organização terrorista” que aparecer no mundo muçulmano, “o primeiro a sofrer com o terrorismo”.Entre os países ou regiões que enfrentam o terrorismo, o príncipe citou “Síria, Iraque, o Sinai (Egito), Iêmen, Líbia, Mali, Nigéria, Paquistão e Afeganistão”.

“Quanto à Síria e ao Iraque, só podemos realizar as operações em coordenação com (as autoridades) legítimas nestes países, e com a comunidade internacional”, disse o príncipe Mohamed, cujo país pede a saída do presidente sírio Bashar al-Assad.

Segundo o ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Khubeir, os países da coalizão trocarão informações, fornecerão material e formação e, se for necessário, colocarão a disposição suas forças.

“As decisões serão tomadas caso a caso, e não se descarta nenhuma opção”, declarou em uma coletiva de imprensa.

Para o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, “o fato de os países muçulmanos se erguerem juntos contra o terror” é “a melhor resposta aos que se esforçam para assimilar o terror ao Islã”.

Os 34 países são membros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), com sede em Jidá, no oeste da Arábia Saudita.

Riad já dirige uma coalizão militar árabe contra os rebeldes xiitas do Iêmen. Também integra a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Outros dez países muçulmanos, entre eles a Indonésia, apoiam esta nova coalizão e podem se unir a ela em um futuro, segundo a agência SPA.

Acusados de laxismo

“A coalizão vai combater o terrorismo em nível militar, ideológico e midiático, além dos esforços em matéria de segurança”, explicou o ministro da Defesa, um dos homens mais poderosos do país.

O inesperado anúncio foi feito depois que certas personalidades da Europa e dos Estados Unidos acusaram Riad de financiar mesquitas e grupos radicais. O reino saudita está regido pela ideologia wahabita, uma versão muito rigorosa do Islã sunita e frequentemente é criticado no Ocidente por ser muito laxista com o terrorismo.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos multiplicaram as declarações sobre a necessidade de mobilizar tropas em terra, em particular árabes, para triunfar na guerra contra o EI e seu califado proclamado no Iraque e na Síria.

No fim de novembro, dois senadores americanos defenderam o envio de 100.000 soldados estrangeiros, em sua maioria de países sunitas, mas também americanos, para combater o EI na Síria.

O ministro das Relações Exteriores dos Emirados, Anwar Gargash, afirmou que seu país está disposto a participar de uma força terrestre para lutar contra o EI na Síria.

“Os países da região devem assumir a carga. E por outro lado não é possível ter uma intervenção estrangeira como as dos americanos para libertar o Kuwait” em 1991, acrescentou Gargash.

Deixe seu comentário